19/01/12

O ano do fim. Um novo olhar.

Nossa! Há quase um ano que não escrevo aqui. Não que não tenha sentido necessidade, pois escrever é uma das coisas que mais me traz o sentimento de liberdade. Uma das coisas que me motivou a voltar a escrever por aqui foi o fato de ter voltado a utilizar o transporte público.

Não, não vou reclamar dos ônibus lotados e nem do calor insuportável que às vezes se enfrenta nele. Isso faz parte. Quem já andou muito de coletivo como eu sabe... Aliás, ao contrário, eu estou feliz de ter retornado a usar esse meio de transporte. Se pudesse o utilizaria sempre. Melhorou muito desde que eu o usava para ir ao colégio. Já não é mais abarrotado de pessoas, me livro de ficar na posição de piloto e consigo contemplar o que está em volta. É justamente sobre isso que quero falar.

Quero falar sobre o olhar. O tempo passa e você começa a perceber, ou ao menos deveria, as coisas ao seu redor. Sempre gostei de observar as pessoas, seus comportamentos, os gestos, os modos, mas principalmente, o olhar. O olhar diz muito sobre você no momento. O que tenho percebido é que as pessoas estão tristes. Os olhares dentro do ônibus variam de distantes a muito distantes. Todo mundo parece apreensivo, preocupado e tenso. Raras vezes vejo alguém com um olhar mais observador ou, ainda descontraído, apreciando o que de belo se vê no caminho.

Hoje, sentei num dos vários lugares vagos e à minha frente sentou-se um senhor que lembrou meu avô. Ele deveria ter perto de 80 anos. Usava uma roupa simples, mas social, como os mais velhos costumam trajar. E um chapéu! Muito semelhante ao que o Vô Toni, e era assim a forma carinhosa com que o chamávamos, usava. Aqueles chapéus de cowboy. Ao seu lado sentou-se um outro senhor, talvez com uns 20 anos menos e puxou conversa com ele. Disse que o conhecia do seu bairro e começaram a conversar amenidades. É engraçado, mas nenhum dos dois tinha esse olhar distante. Tinham o olhar de quem vive!

Entre os jovens o perfil é cada vez mais estranho. Todos, praticamente, usam fones de ouvido. Sentam ao lado dos colegas de escola e são incapazes de manter um diálogo, muitas vezes. Trocam mil mensagens sms, mas não têm coragem para dizer que conhece a pessoa sentada ao lado de uma outra turma. Eu fazia isso quando estudava! Me parece que os diversos meios que têm para se comunicar os tem tornado péssimos comunicadores. E o pior, eles já carregam esse olhar. Um olhar vazio. Não sei se pareço exagerar, mas acho que a geração que está agora na adolescência me parece uma geração muito triste. E acredito nisso porque a impressão que tenho é que não estão sabendo lidar com as novas tecnologias e tirar o melhor proveito delas. Além disso, as cobranças sobre os jovens, parecem estar chegando cada vez mais cedo. Em tudo é preciso ser o melhor, é preciso estar com o corpo sarado, o celular tem que ser completo, a aceitação dos outros é extramente necessária e ter mais de 2000 amigos no facebook é fundamental. E o pior, os pais parecem estar cada vez mais omissos e permissivos. Deixaram de ser pais para ser amigos e acabaram não sendo nem um e nem outro.

Daqui a pouco vou sair pra pegar o ônibus e sei o que vou encontrar: olhares tristes. Mas esse olhar tem remédio. É preciso começar a olhar para dentro de si mesmo. 2012 tá aí e é o ano do fim! E se você vê uma ponta desse olhar no espelho, faça de 2012 o seu fim, porque todo fim exige um novo começo.

Abraços

02/03/11

Uma campanha nada devassa

A Cerveja Devassa tem sido TT no Twitter nos últimos dois dias em função da nova campanha que lançou. Mais uma vez "causou". Contratou a Sandy e com o mote "Todo mundo tem um lado Devassa" está fazendo um barulhão. Ano passado não foi diferente. Com a Paris Hilton a marca ganhou uma visibilidade absurda. Encomodou tanto (inclusive a concorrência) que teve seu VT caçado sabe-se lá o porquê. Os falsos moralistas talvez saibam explicar. Eu não quero nem tentar. Aliás, será que esse ano vão conseguir "dar um jeito" de tirar essa do ar?

O fato é que a Devassa, os estrategistas e criativos da campanha merecem todo o reconhecimento. Estão conseguindo tudo o que planejaram. Tenho certeza. Fazendo render uma campanha que poderia ser "apenas mais uma na multidão". Tem muita gente que acha a Sandy sem gracinha. Oras, tá perfeita pra campanha! Usar o mote que estão usando com a Paris Hilton que não iria colar, não é mesmo?

Se a cerveja é boa ou não é, sinceramente eu não sei. Porque nunca provei. Quem sabe uma hora dessas deixo meu lado Devassa se permitir. Se a campanha vai dar retorno de vendas? Acho bem provável. Vide o case da "Nova Schin". O barulho feito despertou a curiosidade em muita gente e o retorno aconteceu. Hoje a Schinchariol é a segunda maior do Brasil em share de mercado atrás da AmBev por motivos óbvios.

Sabe lá se uma hora dessas o seu lado Devassa não vai fazê-lo chegar na gôndola do supermercado e, ao ver a cerveja ali te olhando, um aviso do seu subconsciente o leve a pegá-la? Acho que a campanha vai mesmo cumprir, ou melhor, já está cumprindo muito bem o seu papel e os executivos de marketing da marca, bem como a agência estão abrindo uma garrafa agora para comemorar. Ah, e não é uma garrafa de Devassa, tenha certeza.

Abraços!

17/01/11

Empreender - Plano de Negócios

O que é empreender? Se você me perguntasse isso, eu definiria que é a arte de lidar com o incerto. Apostando num mercado que eu considero promissor no nosso país, passei a ver o empreendedorismo dessa forma já que nos últimos 3 meses tenho dedicado parte do meu tempo na ideia de um novo negócio.

Começar do zero, sem experiência administrativa e praticamente sem grana é um desafio pra lá de assustador. Principalmente quando você começa a colocar no papel o investimento que você precisa fazer. Felizmente, ou não, eu tive uma formação técnica em administração e isso me ajudou um pouco a ter uma noção de por onde começar. Comecei, acredito, que da maneira certa. Procurei o Sebrae e a partir de um cadastro simples e algumas orientações, parti para o plano de negócios.

Aliás, indico, e muito, o programa "Negócio Certo" do Sebrae pra quem tem uma ideia na cabeça, mas não sabe onde "desenhar" essa ideia. O plano de negócios é extremamente benéfico. Ele te ajuda a definir o seu norte, bem como pensar em coisas que até então não haviam sequer passado pela sua mente. Você começa a pensar com clareza qual o seu público-alvo, que produtos e serviços você vai oferecer. E o melhor de tudo, te ajuda em cálculos de extrema importância, cruciais para você mergulhar ou não na ideia. Cálculos de preço, verificação de rentabilidade e lucratividade, análises de custos. Tudo isso você vai verificar com o plano de negócios. Afinal, uma boa ideia pode ser apenas uma boa ideia. Se não existir mercado para consumir a sua ideia, a ponto de ela gerar receita com lucro, de que servirá? Outra finalidade muito importante do plano é que, com ele em mãos, a facilidade de conseguir um crédito para investimento é muito maior. Se você está pensando em empreender, eu aconselho, faça-o.

Mas voltando à questão do empreendedorismo. A percepção de estar em contato com o incerto e a luta em fazer uma vontade até então fictícia tornar-se próspera é, realmente, algo grandioso. Eu estou apenas começando essa batalha com a PLAYBOX. Espero sair vitorioso e não me render como tantos que ficam no caminho vendo o sonho dilacerado por muitas faltas, às vezes cometidas por descuidos ou inexperiências. É preciso, portanto, homenagear e valorizar os empreendedores de sucesso. Porque para empreender, além de dinheiro ou experiência, como antes falado, é preciso de muita coragem.

17/11/10

Quando uma banda deixa de ser uma banda

Ok, vou escrever o primeiro post depois de passadas as eleições. O assunto me deixou entediado e, por isso, fiquei tanto tempo sem postar nada para os meus milhares de leitores. Milhares = meia duzia de gatos pingados, entenda-se.
Vou falar sobre a minha banda, a Guerra de Botões. De muito rock, muitas festas tocadas e muita cerveja bebida. Sem sombra de dúvidas o último item é disparado o que mais rolou entre nós. Fato é que hoje nós já deixamos de ser uma banda para ser...um ser. É isso mesmo. Não foi apenas uma vez que tentamos encerrar com as atividades da banda. Mas a gente não consegue. Não consegue sequer pensar em ter outro no lugar de um dos integrantes. Seja quem for.
Hoje a Guerra de Botões é um corpo. Um corpo ocioso, é verdade. Mas que tá muito a fim de retomar a "academia" e ficar sarado. O que mais me deixa feliz em saber que somos, se não inseparáveis, insubstituíveis, é que mantemos o mesmo princípio pelo qual a banda foi formada e que se traduz na história do nome da banda.
Tem muita gente que torce o nariz ao ouvir o nome da banda. "Ah, Guerra de Botões..." Eu sei, não é nada comercial. Foda-se! Sempre digo que a banda que faz o nome e não o nome que faz a banda. Ok, do ponto-de-vista do marketing não cola de primeira, não é descolado. Mas é cult. E o legal é saber o porquê do nome. Ele surgiu inspirado num livro-filme francês homônimo. É uma obra, sobretudo, a respeito do valor da amizade e do respeito ao próximo. Coisas que plantamos entre nós em todos os anos tocando juntos. São 12 anos de shows. Alguns anos mais movimentados, outros nem tanto. Já tocamos em alto mar, já tocamos em festivais, já tocamos no pior buteco que você imaginar. Como em qualquer outra relação o tesão deu uma amenizada, mas estamos tentando nos reinventar e dar ânimos para a nossa morbidez dos últimos tempos.
Odeio falsa modéstia, portanto posso afirmar que nossa banda está entre as melhores do sul catarinense no tipo de som que se propõe a fazer.
A ideia de corpo que eu falei também se traduz nessa sinergia que existe entre nós na hora de tocar. É como um time que joga junto há um bom tempo. O cara sabe como o outro vai se movimentar, com que velocidade consegue chegar na bola, enfim...
Quem estiver a fim de conhecer esse corpo de baixo, guitarra, violão e bateria, fique ligado. Porque ele ainda pode dar muito o que falar. Pelo o que a gente vê por aí, ainda é possível acreditar nisso.

Abraços!

14/09/10

Brasil - Uma história inventada

Qualquer pessoa que tenha lido um pouquinho a respeito da história do Brasil, além dos livros didáticos, sabe que Pedro Alvares Cabral e o "descobrimento do Brasil" fizeram parte de uma farsa. Se não uma farsa completa, mas em partes sim.
Assim como a maneira de catequizar os índios. Ou bíblia, ou bala.
Assim como a independência do Brasil, no qual fomos abandonados depois de sermos usurpados.
Assim como a abolição da escravatura. Cadê Zumbi? E quem é negro sabe bem do que eu tô falando.
Assim como o herói supremo da nação, Tiradentes, cuja história ninguém sabe de verdade. É isso mesmo!
Assim como o impedimento do Presidente Fernando Collor de Melo. Onde os jovens de cara pintada tiraram do poder o líder do país. Poupe-me!
Enfim, são 500 anos de invenções e de uma história construída à base de muita mentira.
E agora, às vesperas de uma eleição presidencial o povo está prestes a compactuar com outra invenção. Uma invenção com nome e sobrenome. Uma invenção chamada: Dilma Roussef.
Seu criador, o presidente Lula. "O cara". Aquele que parece estar acima do bem e do mal. Sim, pois sua escolha parece inquestionável para a maioria da população. Afinal, me respondam: em qual país decente uma mulher que planejou assaltos, roubos e sequestros, que terminaram, inclusive, em assassinatos; repito, em qual país decente uma pessoa com tal currículo seria eleita? Eu respondo: NENHUM.
O Brasil é um país excelente. Não há guerras e o convívio multiétnico é lindo. Mas aqui também é um lugar onde, por conta dessa história de mentiras, não existem valores. Tudo foi construído de forma ilegítima.
Quem votar na Dilma, estará de comum acordo com mais uma invenção. Invenção que traz consigo os homens do mensalão. Aqueles, do dinheiro do seu, do meu, dos nossos impostos. Pagos com muito suor. Que já poderiam ter transformado o país.
Se você me perguntar em quem eu voto, te digo: eu voto no descontinuísmo. Eu voto em qualquer candidato que seja capaz de parar com essa máquina de roubar dinheiro público que tornou-se o PT. Partido que não tem vergonha de manter ao seu lado e proteger por meio da manipulação das esferas do poder os homens do mensalão e tantos outros.
Eu voto em qualquer um que tenha um pouco de verdade.
Porque eu não quero mais uma mentira na história deste país.
Eu quero um país de verdade. Não só por mim, mas pelos meus filhos e por todas as pessoas.

Abraços.

03/09/10

Profissionalismo é tudo

Ontem um evento agitou o mercado da comunicação no sul do estado catarinense. O Painel da Comunicação, chamado de histórico pelo presidente do CENP - Conselho Executivo de Normas Padrão, Caio Barsotti, reuniu mais de 400 profissionais de agências, mídias e produtoras. Realmente foi um grande marco, uma vez que finalmente foi tocada na ferida que mais prostitui o meio do qual eu faço parte: a (falta de) ética. Acho que do ponto-de-vista empresarial foi muito positivo a preocupação dos empreendedores em proteger os seus negócios. Aqui tem uma matéria a respeito do evento caso você não tenha noção do que eu estou falando e queira se inteirar um pouco mais sobre quem estava lá e o que ele representou.
Tudo muito legal, porém, quando aberto para as perguntas o meu eu questionador teve que cutucar a onça com vara curta para um tema que sempre gera polêmica. Questionei aos painelistas se profissionalizar os indívuos, criando profissões regulamentadas, não seria um atalho para a tal moralização à qual eles tanto almejam. Acho até que não ficou muito claro, porque eu não me referia apenas aos profissionais de criação. Apesar de ser a minha área de interesse. Enquanto o presidente do Sinapro SC, Daniel Araújo, apoia e acredita ser esse o caminho, para a minha surpresa, o presidente do CENP (sabendo que é um tema polêmico) não. Ele acredita na auto-regulação. O que é óbvio. Mas uma coisa é auto-regular instituições, e outra é auto-regular pessoas.
Ele defende seu posicionamento em relação à regulamentação do profissional, no caso dos que trabalham no setor criativo das agências, pois acredita que seria podar a entrada de grandes talentos oriundos de outras áreas e citou o "antigamente" para justificar sua opinião.
Oras, se são oriundos de outras áreas que atuem em suas respectivas áreas. Ou então, que se profissionalizem na comunicação. Eu poderia ser um excelente médico, advogado ou psicólogo, mas para atuar na profissão você tem que estar em dia com o seu órgão regulador. E claro, ter formação específica. É uma forma de proteger o profissional e, logo, o mercado do qual faz parte.
Comunicar envolve estudo, pesquisa e dedicação diária. Só o talento não basta. Eu sou redator, mas quando estou escrevendo não estou apenas fazendo um texto. Estou desenvolvendo uma ideia, estou comunicando e acima de tudo estou vendendo. Estou analisando mercado, tendências de compra, comportamento, público e mais uma porrada de coisas que, sinceramente, eu acredito que quem estudou para isso leva sim uma boa vantagem. Aprendi muito na prática, é verdade. Mas a universidade foi a base pra minha construção da imagem do que é a comunicação publicitária.
O tempo pode ensinar muito, sim. Mas a que custo? Afinal, a discussão girava em torno da ética. Tudo bem, universidade não ensina ética. Em minha opinião é uma questão de caráter acima de tudo. Mas aos que têm uma certa facilidade em ter desvio de conduta, a regulamentação do profissional, sob o risco de não poder atuar na profissão, com os demais profissionais de olho, obriga a uma postura mais lisa e correta.
Tudo bem que você não concorde com a necessidade de uma faculdade para estar regulamentado, mas deve haver um meio para que o profissional de comunicação seja regulamentado e respeitado. Seja fazendo um teste, como faz a OAB por exemplo, ou de alguma outra forma (que eu não tenho a mínima ideia). Porque, sinceramente, sem regulamentar a profissão acho difícil moralizar o mercado e manter qualidade de comunicação com resultados para os anunciantes.

Abraços.

13/08/10

Pobres na segunda potência ou P²

Fui ler um post no blog do Renan Rovaris sobre os engravatados que discriminam as pessoas que não costumam se vestir como pinguim todos os dias e inspirado nisso resolvi escrever.
Caro Renan, don't worry. Enquanto as tuas calças jeans cheias de atitude e desbotadas estão pagas, tem muito bossal por aí devendo as abotuaduras do paletó. São mais pobres que eu e você. Podemos chamá-los de pobres na segunda potência ou usar o símbolo P² pra facilitar. O que acham?
Os P² geralmente demonstram ter muito, mas geralmente não têm nada. Quem tem é o banco. Carros financiados, muitas vezes com prestações superatrasadas. Apartamento idem. Mas isso não importa, o importante é manter a pose. Aliás, eles estão se lixando. Ao invés de pagar o carro, vai viajar. "Porra! Como assim, ficar sem viajar pra pagar o carro? Nem fudendo!"
Os P² são assim. O cartão de crédito tá estouradaço, já não é mais uma bola de neve. É uma avalanche, amigo! Mas a viagem tá agendada. Garantida. O bonitão tá lá, detonando o cartão que certamente tem um saldo com o dobro do que ele recebe por mês. E ainda assim ele passa por ti com aquele ar de superior.
Usa um celular que custa um mês (ou mais) de trabalho dele. Ou seja, um mês do ano ele trabalha pra ter um aparelho com o qual ele vai se endividar ainda mais. Isso que é inteligência financeira, heinP²!
Vou dizer, não liga cara. Porque eu tenho certeza que tu dorme muito melhor que ele. Também não sou hipócrita, acho que lutar para ter coisas boas e crescer é importante. Só que quem ostenta e se acha mais importante não merece mesmo respeito. É legal ter, mas o que te faz ser lembrado pelos outros é o ser. Não conheço nenhum ídolo que seja lembrado pelo que teve na vida, mas sim pelas suas ideias e obras.
E se você se encaixa no perfil dos P², ainda dá tempo de mudar. Sempre dá!

Abraços.